Núcleo de combate ao feminicídio é criado em Manaus

O núcleo irá funcionar na sede da Delegacia de Homicídios, na Zona Leste de Manaus

Manaus ganhou, na manhã desta sexta-feira (7), um Núcleo de Combate ao Feminicídio, que visa investigar homicídios consumados ou tentados contra mulheres de forma mais intensificada. O departamento vai funcionar na Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), localizada na avenida Autaz Mirim, no Jorge Teixeira, Zona Leste.

Segundo a delegada-geral da Polícia Civil, Emília Ferraz, o núcleo levará apoio para crimes contra a mulher, tendo um trabalho em conjunto com as Delegacias Especializadas em Crimes Contra a Mulher (DECCM’s) de todas as zonas da capital.

“A criação desse núcleo representa um avanço muito grande. Até então as delegacias atuavam apenas com a Lei Maria da Penha e os homicídios contra mulheres tinham as investigações feitas pela DEHS, portando não tinha um olhar especial. Essa inovação vai trazer um conforto para as famílias com olhar de que, aquele caso, será mais apurado”, explicou.

O núcleo será dirigido pela delegada Marília Campelo. “Vamos continuar esse trabalho contra o feminicídio em específico, contra morte de mulheres que não se enquadram também na Lei Maria da Penha, mas que chocam toda a sociedade”, disse Campello.

Apuração dos casos

Segundo o secretário de Segurança Pública do Amazonas, Louismar Bonates, o núcleo irá levar uma investigação mais aprofundada sobre os homicídios contra mulheres. 

“Esse núcleo vem para combater e apurar esses casos. Tivemos 31 mortes de mulheres no estado, sendo quatro comprovados que foram feminicídio, e esse núcleo vai apurar todas as ocorrências”, explicou o secretário.

“A Polícia Civil já começou também campanhas educativas, para que a população seja conscientizada e os homens entendam que não podem estar agredindo as mulheres”, finalizou Bonates.

De acordo com a deputada Alessandra Campêlo, o núcleo também irá impedir o crescimento dos casos tanto feminicídio, quanto de homicídio.

“É um absurdo que nos estejamos em 2020 e mulheres sejam assassinadas, simplesmente, por serem mulheres por companheiros que, muitas vezes, não aceitam um fim de uma relação”, disse a deputada. 

Aumento mundial de casos

A deputada Alessandra também explanou sobre o crescimento de casos. “O aumento do número de casos é algo muito grave e ocorreu no mundo inteiro durante a pandemia. Nesse período as mulheres ficavam presas com seus agressores em casa”, disse.

Pena para feminicídio

Segundo a responsável do Núcleo de Combate ao Feminicídio, a mulher deve denunciar para que as medidas possam ser eficazes.

“É importante que ela saiba que o Estado tem um aparato próprio para atendê-la, tem pessoas especializadas que irão ouvi-la e entender o caso para inciar o inquérito policial, e solicitar medidas protetivas”, disse a delegada.

“O feminicídio não começa de uma vez, geralmente essa vítima sobre de violência de outros tipos, mais brandas, até a fatalidade acontecer. O feminicídio é um homicídio qualificado podendo a pena variar de 12 a 30 anos”, finalizou a delegada Marília Campello.

Fonte: EM TEMPO

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