Hospital de São José do Rio Preto que fez parceria com o Governo do Amazonas é referência nacional em cardiopediatria

Dos serviços oferecidos, 85% são reservados ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Ao mesmo tempo em que investe na reestruturação do Hospital Universitário Francisca Mendes para o aumento da sua capacidade instalada, o Governo do Amazonas tem buscado parcerias com instituições de São Paulo com o objetivo de reduzir a fila de crianças cardiopatas que aguardam por cirurgia. Uma dessas parcerias foi concretizada, no mês de janeiro, com o Hospital da Criança e Maternidade (HCM) de São José do Rio Preto, que operou o primeiro paciente amazonense na última terça-feira (04/02).

Inaugurado em 2013, o HCM de São José do Rio Preto já tratou mais de 4 mil crianças cardiopatas de todo o Brasil, incluindo estados da região Norte, como Tocantins e Rondônia. Com mais de 700 colaboradores, o hospital é um dos mais modernos e bem equipados o Brasil, sendo referência em diversas especialidades pediátricas e no atendimento de alta complexidade, incluindo a cardiologia.

A unidade faz parte do complexo hospital gerenciado pela Fundação Faculdade Regional de Medicina (Funfarme), que inclui ainda o Hospital de Base, um hemocentro, um ambulatório de especialidades e um centro de reabilitação. Dos serviços oferecidos, 85% são reservados ao Sistema Único de Saúde (SUS).

“A Fundação Regional de Medicina hoje é responsável por um grande complexo de saúde que envolve mil leitos, seja no Hospital de Base, seja no Hospital da Criança, que são dois hospitais distintos. Hoje somos o segundo hospital do estado (de São Paulo), só o Hospital das Clínicas é maior que o nosso. E somos o maior hospital do interior do Brasil, não só em termos de leitos, mas também de rotatividade, de agilidade”, explica o diretor executivo da Funfarme, Dr. Jorge Fares.

O complexo de saúde de São José do Rio Preto atende 102 municípios da região, como Presidente Prudente, Barretos e Bauru, além de absorver demanda de estados vizinhos, como Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso do Sul. Somente no Hospital da Criança, são 200 leitos para atender principalmente os casos de cirurgia cardiopediátrica.

“Na cirurgia cardíaca infantil, comandada pelo Dr. Ulisses (Croti), hoje estamos fazendo 400 e poucas, com meta em torno de 500 cirurgias/ano. Para se ter uma ideia, o grande complexo do Brasil, que é o Hospital das Clínicas, faz 600 e poucas. Portanto, somos hoje o segundo serviço de cirurgia cardíaca infantil, não só de São Paulo como do Brasil, em termos de volume. Atendemos o interior de São Paulo todo, tanto que praticamente não há mais demanda de crianças no interior do estado. Por isso começamos a fazer parcerias com outros estados”, acrescenta o diretor executivo da Funfarme.

De acordo com ele, a instituição está sempre aberta a parcerias como a que foi firmada com o Governo do Amazonas. “Onde se tem crianças represadas, nós temos interesse, temos capacidade para fazer isso. E acho que é esse o caminho: atender a população do Brasil, necessitada, sempre que precisa. E é essa parceria que estamos buscando do Governo do Amazonas. O governador esteve aqui, o secretário de Saúde, tivemos um bom contato. E esperamos que evolua e possa ajudar a resolver o problema do Brasil como um todo”.

Alta complexidade – A médica Karolyne Sanches é chefe da UTI cardiopediátrica do HCM de São José do Rio Preto, onde ficou o primeiro paciente amazonense após a cirurgia da última terça-feira. Segundo ela, uma em cada 120 crianças que nascem no Brasil tem cardiopatia congênita, terceira maior causa de mortalidade neonatal no país. Provocadas por anomalias no coração, as cardiopatias mais recorrentes são: comunicação interatrial, comunicação interventricular, persistência do canal arterial e doenças obstrutivas do lado esquerdo do coração.

“O importante é a prevenção, então a gente já tem o teste do coraçãozinho, que nos ajuda a triar a cardiopatia congênita. É um exame extremamente simples para ser feito, a gente usa a oximetria, um aparelhinho simples para avaliar a saturação de oxigênio, e observando um diferencial na saturação do oxigênio, a gente consegue inferir que essa criança pode ter alguma doença no coração. Aí existe um exame, que é o ecocardiograma, que nos ajuda a realizar o diagnóstico”, explica a médica.

Ela afirma que o HCM é referência no tratamento de cardiopatias congênitas de alta complexidade porque oferece assistência em diversas frentes. “Aqui a gente tem todo esse cuidado com a gestante, consegue ter o diagnóstico ainda intrauterino, a gente tem a triagem, tem o ecocardiograma, a gente consegue ter aquela medicina interventiva com a equipe da hemodinâmica. Tudo isso faz com que essa criança consiga ser bem assistida”.

O hospital também atua na orientação das famílias dos pacientes e no treinamento da equipe de colaboradores por meio de uma parceria com a fundação norte-americana Children’s HeartLink. Presente em 16 hospitais sediados na China, Índia, Malásia e Vietnã, além do Brasil, a ONG tem como missão colaborar no desenvolvimento, capacitação e mobilização de pessoas e instituições para a assistência a crianças cardiopatas. No HCM, a cooperação possibilita, entre outras coisas, a preparação dos pais para a alta dos pacientes.

Mais cirurgias – Nos próximos dias, a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (Susam) deve encaminhar, por meio do Tratamento Fora de Domicílio (TFD), mais duas crianças ao Hospital da Criança e Maternidade de São José do Rio Preto. Outro paciente será encaminhado ao Instituto do Coração (InCor), na capital paulista, segunda instituição com a qual o Governo do Estado assinou protocolo de intenções para a realização de cirurgias em pacientes amazonenses.

Foto: Bruno Zanardo/Secom.